Bom
Numa noite dessas, isso uma com ou sem estrelas, o favor de procurar no céu algo que brilha e pode estar se movendo tão rápido, porém tão distante do olhar, que acreditamos, que estão sempre paradas, a poluição que se concentra dentre os céus não tem força o suficiente para fazê-las desaparecer, o importante é olhar, mesmo que tome um segundo do tempo, veja se possui ao menos uma consideração por aquilo que forma a noite, não apenas um período de tempo em que parte do planeta não está sendo “vigiado” pelo Sol,apenas começou a pensar, balançando a cabeça de um lado para o outro, balbuciando opiniões, verificando se aquilo que está em sua mente é realmente algo que sempre soube, ou achou que fosse.
A noite o tomou, fez ele parar no tempo, esquecer tudo o que acontecera, para se manter um pouco desligado de tudo e de todos, e um pouco até, de si mesmo, sentia-se viajando , enquanto uma gota de água caia sobre seu rosto, que estava manchado pela vermelhidão de uma irritação por utilizar certos produtos para a assepsia de seu rosto, se encontrara sujo , pois havia sido uma tarde muito calorenta, e o desgaste físico e o cansaço tomava seu corpo, fazia muitos exercícios, acreditava em manter uma saúde para alcançar longevidade com muito entusiasmo e capaz de fazer tudo aquilo que fazia quando infante, mas nada disso importava. A toalha dobrada e amassada entre os dedos que correu pelo rosto e se encarregou de secá-lo em poucos movimentos sucintos, olhou então, para dentro de si, procurando ver, sentir, lembrar talvez de algo que o fizesse escrever algo que realmente poderia fazer sentido na sua e na vida de muitas outras pessoas, pois se importar é realmente o que queremos, ou apenas algo que pretendemos demonstrar?(pense como queira)
O vento sopra, a porta velha com a madeira já fosca, geme
Um ruído estranho, mas que já não tem mais a antiga presença
Foi se um dia tudo aquilo que desconhecíamos
As informações correm até a gente, pulam em nossas mãos
E modelam nossas mentes?
Alguém que consiga demonstrar interesse?
Mais uma vez se vê entregue às palavras, sucumbindo ao vício, todo mundo tem um, é algo que faz parte já da vida de cada um, pode passar despercebido, entendido como algo peculiar, onde já se viu ter a mania de escrever por que pensou alguma coisa que poderia escrever, mas não é apenas isso, não é uma paixão, é algo pra se dedicar? Talvez sim, talvez seja mais uma besteira, por deixar muita água quente do chuveiro cair em sua cabeça enquanto pensava tanta coisa que nem se lembra mais da metade, algo tivesse feito esquecer tudo e manter uma linha de raciocínio, força? Medo de esquecer tudo o que poderia colocar em pedaços de papel, lhe fez esquecer tudo o que havia planejado, poxa vida, pra que isso então? O que querer demonstrar com algo durante essa noite que poderia ter trazido angústia, incerteza e dúvidas, os anos passam, os medos se tornam outros, as dúvidas se apresentam de outra maneira, por outros motivos, só quer passar mais uma noite inteira escrevendo sobre isso e aquilo, por acaso alguém já disse que falamos bem e falamos mais, quando falamos da vida alheia, nunca da nossa, o que tem de tão emocionante viver uma sombra enquanto você pode ser a luz, psicólogos procuram entender, se perguntar sobre o comportamento de cada um, o porquê de tudo e de todos, será que as pessoas às vezes procuram a visão naquilo que as deixa sem uma linha sequer em sua frente, ou querer entender isso seria fechar a visão para o mundo lá fora, mundo lá fora, quem falou que o mundo é lá fora?
Sabe um dia desses, você lembrar
Tudo o que eu quis te falar, e falei
Mas você cego pro que eu dizia, nem percebeu
Fez de conta que nada aconteceu, e o tempo passou
Você se zangou, e acredito que não entendi
Seus olhos abrem de outra maneira
E você nunca mais enxergou o mesmo que eu
Não quis mais, o que explica, aqui
Que encontramos uma pessoa que enxerga o mesmo
A verdade do que chamamos de vida, o amor nos encontra
E faz duas pessoas se apaixonarem, não apenas, mas se amarem
Pois enxergam uma na outra
Lá fora é muito difícil de entender, procure apenas saber onde você está, ninguém define um mundo pra si próprio, mas vive como se cada um estivesse em um mundo diferente, aí lá fora é muito ruim, é tão simples que fica complicado, pra quem quer viver fechado, não culpe ninguém, somos todos livres, somos todos o que acreditamos ser, somos arrogantes, somos impacientes, somos inflexíveis quando queremos entender algo que não queremos colocar em “nosso mundo”, mas por alguma necessidade que não percebemos, talvez por pura idiotice, ou por pura falta de noção da nossa personalidade, procuramos dificultar, assim, tudo o que pode ser fácil, conversável, e compreensivo passa ser o sofrimento, necessário, e muitas vezes passa a ser constante pela perda da percepção. O que aqui é escrito, pode ser dito, pensado e refletido, mas pra que precisa ser questionado? Conhecimento da expressão - “não mexe no que está quieto”, faz todo o sentido, as pessoas devem aprender a questionar as coisas, por medo, dúvida e incerteza, e não por pura vontade de discutir e provocar conflito, demonstrando simplesmente algum desafeto ou desequilíbrio mental, emocional.
Faça o que quiser, faça o que fizer, não faça pelos outros, ou tentando atingir alguém em seu mundo, as pessoas não pensam do mesmo jeito, embora vejam as mesmas coisas, leiam, escrevam, ouçam, conversem sobre o mesmo, vivem em mundos completamente diferentes, e estão sujeitas a situações e problemas em que se tornam aquilo que nunca pareciam ser, o homem é livre, mas ao redor de cada um existe uma linha, não, uma parábola, que não vemos, nem sentimos, mas aprendemos ou não a respeitar, pra poder viver, no que formamos e chamamos de sociedade. Metade daqueles que ouvem isso não sabem o que significa, e muitas não querem saber por acreditar que o mundo vai muito além do que ele espera dele, e que isso muitas vezes afeta a todos e a tudo que possa alcançar.
Amigo meu disse que escrevo bem
Amiga minha disse que sirvo pra psicólogo
Amigos me deixaram com raiva, besta raiva
Amigos meus continuam repetindo
Amigos meus ouvem, mas sem querer
Colegas dizem pouco, entendem menos
Conhecidos nem sabem, talvez nem queiram saber
Canso de ouvir, de dizer e de escrever
Amigo meu não sabe o que dizer
Não sabe muito bem fazer o que diz
Faz aquilo que diz, vive aquilo que não quer
Tenta entender o que não alcança
Mas não sabe que não quer ser o que é
Sente-se depreciado, mas não muda
Se fecha e se prende, se agarra e geme
Em algo que acredita, mas não em algo que lhe faz bem
Amigo meu é parecido comigo, mas não igual
Colega meu é conhecido, que não sabe o que faz
Conhecido meu é alguém, que não sabe quem é
Ele faz de conta que é sempre cedo, é bom terminar o que se tem por responsabilidade antes, pra aproveitar bem tudo o que quer, nem sempre é bom no que faz, nem sempre sente muita vontade ou alegria no que faz, nem sempre gosta, muitas vezes procura encarar problemas por desgosto, sabe muito bem que não precisava, mas faz, sem entender, “já é tarde da noite”: como mãe costuma dizer; nem toda noite é fria, sombria e perigosa, nem toda noite é quente animada e com alegria calorosa, mas toda noite é mais escura que o dia.
O romance começa, acorda mais um dia – Que belo dia, como é bom ver que o Sol está sempre como um Sol, e eu sempre como admirador dos teus raios, algo que nunca vou esquecer. Se exercitar é bom, faz bem, e gostar disso é melhor ainda, então ele se lavou, colocou uma roupa bem leve, e foi se entregar pra mais um dia, fez cada exercício e correu sorrindo, com gestos como se fosse um cantor, ou um maestro regendo, suou bastante, fazia um calor bom, logo sentiu o cansaço, parou e se sentou frente a uma bela árvore para se proteger pelo menos dos raio que poderiam lhe atingir os olhos, jogou a toalha no rosto, deitou-se lentamente, e fechava os olhos, pra fazer o que melhor sabia : pensar , e pensar, pensar pra que? Pra aprender alguma coisa, e esquecer das outras, é claro, por mais que passasse ali todos os dias quase, nunca pensava a mesma coisa, mantinha por algum tempo alguns raciocínios, e os que mais o perturbava, ele seguia sempre fechando os olhos pra eles, sim, é medroso, tem muito medo, e uma mente pessimista demais pra alguém que não conhece tantas coisas da vida, talvez seja por isso que tenha medo, por que desconhece a maioria, e não consegue viver com a minoria, embora seu corpo sinta-se satisfeito com tudo o que faz.
Já me peguei muitas vezes procurando um vazio
Simplesmente por que quis, pra pensar e refletir
Pura idiotice, muitas vezes, uma melancolia
Poderia procurar viver melhor, e deixar isso pra depois
Quem sabe daqui pra frente eu não pare pra pensar apenas
Quando eu não tiver mais nada pra fazer
A vida em contato com o que a natureza nos oferece é algo prazeroso demais. Ficou a manhã inteira pensando isso, até que ouviu um sussurro ou algo parecido com isso, era de fato, um ruído que o perturbava. Se levantou e então manteve seu olhar levemente oblíquo para enxergar o máximo que sua visão permitisse, porém, perdeu tempo em procurar algo, que poderia ser apenas uma folha trazida pelo vento.
-Que estranho, preciso parar com esse sentimento de ansiedade, talvez algo que me fizesse bem, deve resolver, talvez uma companhia.
Partiu para dentro de casa, tomar um banho, estava suando, e logo mais iria para o escritório onde trabalha como projetista de sistemas residenciais e prediais. O pensamento de passar mais um dia sozinho, em sua casa, e o por que aquilo ocorria, percorria todo seu corpo, e perdurava em sua cabeça, enquanto a água quente o deixava relaxado. É estranho como fugia tanto do pensamento sobre aquilo que mais lhe fazia falta na vida, mas não se permitia fraquejar por causa disso, permanecia apenas se perdendo em suas reflexões, enquanto o tempo voava.
Pergunto-me incontáveis vezes, pra quem escrevo?
Escrevo por que faço bem escrevendo, mas quando escrevo pra alguém
Alguém não gosta do que escrevo, se escrevo a mim
Não fico satisfeito, é sempre bom mostrar, as escolhas são ruins?
Tenho toda vez a desagradável conclusão, de que escolho errado
Escolho por medo, por receio, nunca por vontade
Se escolho errado, o pior, é por medo de errar que assim escolho
É por medo de falar que assim escrevo, enquanto minha mente dá passos
Ditando juntamente com meus pensamentos, o que eu quero na verdade
Simplicidade, a maneira mais complicada de encontrar algo
De encontrar a mentira em cada verdade, a solidão em cada multidão
De encontrar um imenso vazio, aonde se transbordava de recheio
De perceber que tudo isso, é nada mais que relativo a respeito
De cada um que pensa, de cada um que acredita numa verdade que seja mentira,
Numa mentira, que seja a maior das verdades
Um lugar é uma pessoa, e sendo assim, bonito de ver é o que espero
De cada um, que seja diferente, que seja verdadeiro pra si mesmo
E sim, escrevo por que tenho medo do resto que possa fazer
Nem todo mundo é preparado pra escrever, muito menos pra entender
Mas são todos preparados pra querer
Escrevo por que desejo, por que quero
Não encontro a não ser no anseio de minhas linhas
Por que minha língua não se afia, se filia à vontade alheia
Pois o que escrevo, é simplesmente uma maneira complicada
De encontrar em cada palavra, um caminho pra cada fala.
Um toque mágico encontro, quando eu começo a pensar
Um toque catastrófico eu causo, quando não paro
Incessante é a espera, o aguardo, que dá passos por dentro
Mas não caminha, ninguém vê, é como uma sombra
Parece seguir, mas nunca chega a seu destino
Afinal, pra que destino, aonde se quer chegar?
É só o fato de não querer mais estar